Anestesia no colo uterino para colocação do DIU liberador de levonorgestrel

Postado em 12/01/2021

O medo de sentir dor pode ser um dos fatores que contribuem para que diversas mulheres, especialmente as que nunca engravidaram, não optem pela utilização de um dispositivo intrauterino (DIU).

Segundo a pesquisadora e professora do INCT Hormona, Dra. Carolina Sales Vieira Macedo, os dispositivos são métodos altamente eficazes e seguros, mas menos de 2% das mulheres brasileiras os utilizam. Existem diversos tipos de DIU: o DIU de cobre – vários modelos –  e o DIU hormonal – dois modelos: o de tamanho convencional e um de tamanho menor. “Eles apresentam poucos efeitos colaterais e a maior parte das mulheres podem usá-los, inclusive adolescentes e mulheres que nunca engravidaram”, explica a especialista.

Já é conhecido que mulheres que nunca engravidaram apresentam maior dor durante a inserção de qualquer DIU. Este foi o tema de um estudo realizado com o apoio do INCT Hormona, que foi premiado internacionalmente como um dos quatro melhores trabalhos de 2019 pela Society of Family Planning (SFP), durante o último congresso realizado em Los Angeles. O estudo também foi publicado na American Journal of Obstetrics and Gynecology, uma das melhores e mais respeitadas revistas de Ginecologia e Obstetrícia do mundo.

O trabalho avaliou se o bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2%, ou seja, uma anestesia no colo uterino, poderia reduzir a dor associada à inserção do DIU hormonal de tamanho convencional. O DIU hormonal é tecnicamente denominado sistema intrauterino liberador de levonorgestrel. Além disso, a pesquisa “Intracervical block for levonorgestrel-releasing intrauterine system placement among nulligravid women: a randomized double-blind controlled trial” analisou se o bloqueio intracervical tem algum efeito na facilidade de inserção do dispositivo pelo médico e na experiência geral com o procedimento relatado pela mulher.

No total, 302 mulheres participaram do estudo, e foram divididas em três grupos – 300 delas tiveram uma inserção bem-sucedida do dispositivo. A divisão em grupos foi feita de forma aleatória:

  • 99 para o grupo do bloqueio intracervical: cada mulher recebeu 3,6 mL de anestesia (lidocaína a 2%) no colo do útero. Foi usada a seringa que os dentistas usam para dar anestesia. A vantagem desta seringa é que a agulha é bem fina.
  • 101 para o grupo que recebeu uma simulação de anestesia: Não foi injetada a anestesia, apenas feito uma simulação.
  • 102 para o grupo controle: não receberam intervenção. Normalmente é dessa forma que se coloca o DIU, sem anestesia.

O profissional que realizou o procedimento não sabia a qual grupo as participantes pertenciam.

Segundo a pesquisadora, o grupo que recebeu o bloqueio intracervical teve menos mulheres relatando dor intensa na inserção do sistema intrauterino liberador de levonorgestrel do que os outros dois grupos. “As mulheres do grupo de bloqueio intracervical relataram menos dor do que o esperado, avaliaram a inserção como menos desconfortável que o esperado e estavam mais dispostas a se submeter a outra inserção de DIU no futuro, em comparação com as mulheres dos outros grupos”, comenta a especialista.

Após a análise dos dados, o grupo de pesquisadores chegou à conclusão que o bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2% diminui a dor na inserção do sistema intrauterino liberador de levonorgestrel entre mulheres que nunca engravidaram. O procedimento também proporcionou uma melhor experiência geral durante a inserção do DIU.

O Abstract completo pode ser acessado aqui