Revisão: As dietas em mulheres na pós menopausa

Postado em 09/09/2022

Discutir as atuais evidências científicas da associação entre padrões de dieta, composição corporal e marcadores de risco cardiovascular em mulheres na pós-menopausa. Esse foi o principal objetivo de uma revisão realizada pelas equipes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Universidade de Passo Fundo (UPF) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), todas do INCT Hormona. O artigo “Nutrition in Menopausal Women: A Narrative Review” pode ser lido na íntegra no link: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34201460/

Segundo a Dra. Thais Rasia da Silva, que fez parte do grupo de pesquisa, há mais de 10 anos as equipes avaliam o potencial impacto da dieta na saúde da mulher no período após a menopausa. “Ao longo desses anos, diversos estudos de associação e, também recentemente, um ensaio clínico foram publicados e esta revisão de literatura foi uma forma de compilar nossos dados com outros resultados obtidos em outras populações”, explica.

De acordo com a especialista, o grupo chegou à conclusão de que não há evidências que justifiquem a prescrição de dietas ricas em proteína para ganho de massa muscular, ou seja, a atual recomendação de ingestão diária (RDA=0,8g de proteína/Kg de peso corporal) parece ser suficiente para manutenção da massa muscular em mulheres na pós-menopausa. “A revisão mostrou também que, em mulheres com excesso de peso ou obesidade, a dieta de baixo índice glicêmico parece ser mais eficaz para a redução de gordura corporal”, comenta.

O grupo concluiu que o Padrão da Dieta Mediterrânea pode reduzir, significativamente, a taxa de perda de massa óssea em mulheres com osteoporose; a baixa ingestão de calorias é recomendada para a prevenção de alterações metabólicas; e o Padrão de Dieta Mediterrânea parece reduzir níveis de pressão arterial e o risco de doenças cardiovasculares em mulheres na pós-menopausa.

A Dra. Thaís Rasia explica que são esperados novos estudos para os próximos anos, principalmente avaliando o efeito de dietas com maior consumo de alimentos de origem vegetal, em detrimento aos de origem animal. “Nosso grupo de pesquisa segue avaliando dados de dieta obtidos em mulheres na pós-menopausa e, em breve, teremos novas publicações que sinalizarão os possíveis mecanismos pelos quais os nutrientes, e outros compostos bioativos, interferem na composição corporal e no risco cardiovascular”, finaliza.